Cristologia negra libertadora e negritude

Autores

  • Marcos Antonio de Santana Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.52451/4dr76w69

Palavras-chave:

Reino de Deus, abba negro, encarnação, racismo, negritude

Resumo

O artigo, intitulado "CRISTOLOGIA NEGRA LIBERADORA E NEGRITUDE", apresenta uma reflexão crítica da fé elaborada a partir do horizonte hermenêutico que articula a cristologia negra com a negritude, buscando a transformação da realidade sócio-histórica e posicionando-se contra toda forma de opressão. A tese teológica principal sustenta que a situação do povo negro e pobre, desde a escravidão até o racismo estrutural contemporâneo, é uma realidade sacramental da presença do Verbo encarnado, o "Jesus Negro Libertador". Essa identificação é resumida na afirmação de que "Deus se torna negro para estar ao lado dos negros", validando a experiência histórica do povo oprimido como o locus theologicus da manifestação divina. A reflexão está enraizada no contexto de violência, genocídio, e racismo estrutural no Brasil, o qual articula raça e classe para organizar desigualdades sociais. Neste contexto, a Negritude—definida como uma categoria histórico-cultural—representa uma postura existencial e política de resistência ativa e rejeição à opressão, um despertar para a dignidade. O fundamento essencial da cristologia negra reside na ressurreição do crucificado (Mistério Pascal), articulando o Jesus histórico e o Ressuscitado. A relevância do Jesus histórico reside no isomorfismo estrutural entre o contexto de opressão de sua época e a realidade contemporânea dos negros e pobres. A Via Crúcis e a morte de Jesus são vistas como a consequência direta de sua práxis libertadora e solidária, uma denúncia contra a injustiça e a hipocrisia religiosa, que ameaçava o status quo vigente. Teologicamente, sua morte é a epifania da liberdade de Deus, pois Ele assume integralmente a opressão humana. A Ressurreição é o evento escatológico que manifesta que a soberania divina é invencível, configurando a plenitude da Vida e abrindo o horizonte de libertação. A fé no Cristo das Dores e no Senhor Ressuscitado conferiu aos negros da diáspora a capacidade de resistência em direção à plena Liberdade, garantindo que a mensagem do Reino do Abba Negro seja uma força para a libertação integral e definitiva

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Biografia do Autor

  • Marcos Antonio de Santana, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

    Professor, doutor e padre da Arquidiocese do Rio de Janeiro, ele nasceu em Pernambuco em 1956. Obteve o título de Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Sua tese, defendida em março de 2003, teve como tema: Verdadeiro Homem, Verdadeiro Deus: fundamentos cristológicos da antropologia cristã na reflexão de Wolfhart Pannenberg. Na PUC-Rio, leciona na área da Cultura Religiosa, oferecendo especialmente os cursos de Cristianismo e Cristianismo e as Grandes Religiões.

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Publicado

2025-12-29

Como Citar

Cristologia negra libertadora e negritude. (2025). Revista Teopráxis, 42(139). https://doi.org/10.52451/4dr76w69

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